A alquimia entre o sagrado e o digital: Entrevistando Haru A Shakra

Do neon das telas à cura pelo som: O mergulho em um ecossistema multissensorial de um dos artistas mais completos da cena independente atual.

Produzido por IA 

Existem artistas que criam obras, e existem artistas que criam universos. Hoje, o meu papo no Pulso é com alguém que eu não apenas admiro, mas com quem sinto uma conexão de propósito muito profunda. 

Ele é uma explosão de cores e sentidos: músico, artista visual, artesão de peças que parecem amuletos e um mestre no toque que cura. Haru A Shakra (ou Haru Kamura, para os íntimos como eu) é a prova viva de que a arte não precisa de molduras ou de grandes gravadoras para ser impecável e sagrada. Ele une a alta tecnologia da Inteligência Artificial com a sabedoria ancestral dos chakras, provando que ser independente é, acima de tudo, ter a liberdade de ser inteiro.

Preparem o coração para um mergulho etéreo. Com vocês, o meu amigo e mestre das sensações, Haru.

1. A saga dos discos

Fada: Haru, você já fez no mundo três álbuns e um EP. Eu acompanho sua correria e sei que nada é por acaso. Quero que você me conte qual foi o propósito de cada um desses momentos. Eles são fases diferentes do mesmo Haru ou cada um nasceu de uma ruptura?

Haru: Que prazer poder abrir meu cosmos e oferecer a sabedoria do que vejo na minha caminhada como artista. É ainda mais gratificante ter essa oportunidade vinda de você que é uma artista empreendedora que eu tanto admiro, por isso: gratidão pelo interesse, atenção e pela oportunidade. 

Cada um dos meus trabalhos músicais foi uma resposta ao momento da vida que eu vivi. Fluxo, meu primeiro álbum, nasceu na necessidade de gritar ao mundo a sabedoria do alinhamento dos nossos chacras e como realinhar cada um deles nos oferece equilíbrio, cada um deles em seu fluxo natural é importante para viver bem, em harmonia, alinhado com nossos sonhos e com quem verdadeiramente somos e não o que querem que sejamos. E quando olhamos pra luz do que somos, a sombra desperta em nós e também nos outros através da raiva, da inveja, da mentira, da tristeza, do apego, da ilusão, da culpa, por isso ao falar de fluxo eu criei o EP "Ritos da Razão" um trabalho instrumental que busca nos guiar através da música terapia para um caminho de sobriedade emocional, eliminando a negatividade e realinhando a razão. Assim nasce esse trabalho, uma consequência de "Fluxo" para apoiar os momentos que desalinhamos nossos chacras. 

Já em "Profana e as Sombrinhas" eu invoco minha persona Drag Queen: Shakra Sagrada Profana, para brincar com as coisas que o mundo vê como sombrias como sexo, morte, irá, deboche, relações tóxicas, auto imagem. Dessa forma eu brinco com as minhas sombras que são também as sombras da sociedade para dizer: tá tudo bem dançar e brincar com as nossas sombras, elas são necessárias e montam a complexidade humana. Esse álbum também é uma tentativa de criar um trabalho musical mais comercial, sair da perspectiva "sagrada" e abordar a vida como ela é, nas necessidades das sombras de cada um de nós.

Agora no meu último e mais trabalhoso projeto musical, criei "Finito" que oferece o olhar ampliado para temas que fazem a gente a lidar com o fim dos ciclos. Eu compus e montei a melodia no ano de 2025, um ano de número 9 na numerologia, ou seja, um ano em que todos nós tivemos que lidar com o fim de eras. Na numerologia as temporadas da nossa vida são divididas em ciclos de 9 anos e 2025 foi o ano para ceifar processos, viver os lutos, aceitar o fim, enquanto damos a mão para a transformação. "Finito" serve como um ritual da Fênix, para vermos valor na partida e lembrarmos que o fim é uma ilusão que nos inspira gratidão pois só com a gratidão temos força pra prosseguir após o fim de uma temporada. 

Haru A Shakra (Haru Kamura) | Créditos: Arquivo Pessoal


2. A caneta e a verdade

Fada: Suas letras têm uma força que a gente sente que vem de dentro. É você que escreve tudo? Como é que essas palavras chegam? É naquele momento de silêncio ou elas brotam no meio do caos?

Haru: Todas as letras são ecos de um momento, momentos que me desafiei, que enjoei de mim mesmo, momentos de profunda tristeza que precisei ressignificar. Não vou invocar recortes sociais que represento nesse momento porque acho que minhas letras transcendem a vivência social, elas foram milimetricamente pensadas para serem fiéis a tudo o que eu vivi e a todos aprendizados que eu tive, mas que também pudesse ecoar na alma de todo mundo que ouvir, independente de sexualidade, gênero, cor, etc. Minha poesia quer cuidar de todos e tinha que transparecer isso, por isso eu escrevia, apagava, escrevia, recriava, fui lapidando para ficar profundo, intenso e elegante porque a elegância sempre garante autoestima acima de tudo, para que sejamos mais do que apenas nossas dores. Minha poesia é um lembrete para que possamos brilhar a divindade que existe na peculiaridade de cada um. 

Então elas nascem dentro disso, da necessidade de despertar, com sofisticação, a resiliência no coração de quem se dedica a ouvir.

3. A alquimia do som (Sem clichês)

Fada: Eu acho incrível como a cena independente hoje permite que a gente entregue um som impecável usando o que tem de mais moderno sem precisar daquelas estruturas gigantes de antigamente. Como foi produzir esses trabalhos? Qual é o seu segredo pra chegar nessa estética sonora tão refinada sendo dono do seu próprio processo?

Haru: O segredo é manter-se vivo, constante, abraçando as mudanças e se afastando dos conceitos conservadores que insistem em nos ligar ao passado. Por exemplo, eu uso minha voz recriada com IA pra produzir o canto das músicas. Se eu me prendesse numa mente que quer conservar apenas instrumentos antigos e negar a tecnologia, eu nunca teria criado meus projetos, não sei cantar. Nunca teria acessado os corações que já se emocionaram com meu trabalho musical se eu tivesse me prendido aos conceitos antigos de criar música. Entendo que isso causa até desmerito na autenticidade da minha produção musical, nas minhas composições, como não é minha voz cantando as pessoas acham que é tudo feito por IA, mesmo não sendo. Mas não é sobre isso, não é sobre mim, não é sobre meu ego, sobre eu me sentir menos ou mais artista na visão das pessoas. 

É sobre alcançar corações, cuidar das pessoas, levar um abraço cósmico digital sonoro na alma de quem se permitir me ouvir e isso só se concretizou com o uso da voz em IA. Em "Fluxo" meu primeiro álbum, a música Pensamento, Fogo e Água são poesias que estavam no papel desde 2018, e que nunca teriam virado uma música completa se eu não tivesse a IA pra me auxiliar, afinal convidei inúmeros cantores amigos pra criarem uma collab com minha poesia e nunca obtive respostas para criarmos juntos. 

Então me manter vivo, aceitando as mudanças do mundo, da tecnologia, da modernidade me possibilitou me transformar em quem eu sou hoje. Envelhecer é ter dificuldade em lidar com o novo e quero me manter jovem enquanto envelheço. Criando, criando e criando. 

4. O corpo como tela e templo

Fada: Muso, você pinta quadros, pinta corpos, faz acessórios que são verdadeiras joias e ainda tem o seu trabalho como massagista. Eu te vejo como um artista completo, mas como você amarra tudo isso? Quando você está massageando alguém, isso vira inspiração pra uma batida ou pra uma pincelada?

Haru: Minha autoestima sempre se fortalece com meu trabalho, não no espelho, por isso agradeço muito quando você me elogia assim e é essa também a resposta de como eu amarro todas minhas capacidades. Tudo o que eu faço, faço para cuidar. Cuidar do corpo, com a massagem, cuidar da autoestima com a maquiagem e os acessórios, e cuidar da alma com os quadros, as músicas... Meu propósito é ser seu melhor amigo cósmico, não ser seu ídolo. Quero poder cuidar das pessoas, dar um conselho, servir momentos etéreos que marcará a vida das pessoas. 

Vivemos num mundo que tem se tornado cada vez mais monocromático, sem cor, sem vida, preso no lucro do consumo e investir em cores tem um alto custo, por isso, por exemplo, os carros são sempre das mesmas cores. Quando invisto no universo neon eu quero brilhar no escuro, investir nas cores dos quadros, da maquiagem, na arte das músicas, é não se importar com o custo mas no impacto que tudo vai ter na alma de quem eu quero cuidar. 

Pintura Holistica por Haru Kamura em baladas e festas privativas

5. O que vem por aí?

Fada: Você não para, e eu amo isso. O que mais está pulsando aí dentro? Tem álbum novo no forno ou você está explorando algum outro caminho artístico que eu ainda não vi?

Haru: (Rs) Sim. Tenho novos projetos, mas como já vimos eu não me contento em criar uma coisa e seguir somente nela. 

Estou agora criando um evento sensorial que vai unir minhas músicas, meu ateliê de arte neon, a maquiagem da Pintura Holistica, e o melhor: minhas almas amigas que conquistei durante a vida, pra servirmos juntos um evento sensorial único onde você terá acesso ao prazer do paladar, visual e sonoro, o prazer sexual e artístico, e até observatório das estrelas. 

Tudo isso em um evento fechado de até 30 pessoas por noite, feito na minha casa que também é meu ateliê, onde quero, inclusive, receber essa Deusa maravilhosa que você é, Fada, para celebrarmos juntos as sensações, a liberdade, a arte e o prazer e, assim, podermos compartilhar isso com todos àqueles que já se sentem prontos e que se sintam uma COSMICUDA, um Deus/Deusa cósmico que vive a intensidade de seu próprio cosmos.

E aqui, eu Fada, finalizo a entrevista, nunca o contato. O que depender de mim já aceitei todos os convites porque o prazer sexual, artístico e estelar são territórios onde a gente se encontra e se reconhece.

Para quem leu esse papo até aqui: que as palavras do Haru sirvam de despertar. Que a gente tenha a coragem de ser múltiplo, de abraçar o novo e, acima de tudo, de brilhar no escuro.

Gratidão por pulsar aqui hoje.

Anote o instagram @pinturaholistica para encontrar o muso! Nos vemos sexta-feira que vem com mais uma entrevista mágica, que pulsa e conecta!

Fada

Assinado por Fada

Música e erotismo me movem e me transformam.

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